Seminário reuniu empresários do setor agropecuário dos dois países.
Publicado em 14/05/2025 06h19 Atualizado em 14/05/2025 06h34
Secrétario de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart
Secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua
Secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realizaram nesta quarta-feira (14), em Pequim, o Diálogo Brasil-China sobre Segurança Alimentar. O evento reuniu autoridades e representantes de entidades brasileiras e chinesas de diversos segmentos do agronegócio.
Segundo dados da ApexBrasil, o Brasil desempenha um papel central na segurança alimentar da China, respondendo por mais de 25% das importações agrícolas e pecuárias do país asiático.
Na abertura do seminário, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, destacou a importância da presença do setor empresarial nas discussões sobre o tema. “Parabenizo os empresários brasileiros que acreditam nessa relação, que investem na excelência de produção e atendem às exigências do governo chinês, oferecendo produtos de qualidade, seguros e competitivos. É uma satisfação ver o crescente interesse em novos mercados e, principalmente, o esforço para ampliar aqueles que já conquistamos”, ressaltou.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, também reforçou a relevância estratégica da parceria com os chineses. “Hoje, a China é o nosso maior parceiro comercial. No ano passado, segundo estatísticas brasileiras, os chineses compraram US$ 44 bilhões em produtos do Brasil, cerca de 30% de tudo o que exportamos do nosso agronegócio. Para se ter uma ideia, a China importou mais do que o dobro da União Europeia, nosso segundo principal parceiro. Esses números mostram que, para os chineses, o Brasil também é estratégico. Trata-se de um caminho sem volta, de aproximação e união em prol da segurança alimentar global”, afirmou Rua.
Já o gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou a construção de uma relação de longo prazo entre os países. “Queremos nos colocar como parceiros da China, parceiros confiáveis, estáveis e sustentáveis. Buscamos uma relação que vai além do comércio, uma relação de investimento mútuo, onde queremos mais investidores chineses no Brasil e também continuar investindo aqui na China”, disse.
Representando o setor produtivo brasileiro, participaram do seminário a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS), a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CECAFÉ), a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), a CropLife e o Instituto Brasileiro do Feijão (IBRAFE).
Pelo lado chinês, estiveram presentes importadores e representantes da Câmara de Comércio do Governo da China para Importação e Exportação de Alimentos, Produtos Naturais e de Origem Animal (CFNA), do Centro de Promoção do Comércio Agrícola da China (ATPC), da Associação Chinesa de Comercialização de Frutas (CFMA), da Associação Nacional da China do Setor de Grãos (CNAGS) e da Associação Chinesa da Indústria da Carne (CMA).
BRASIL E CHINA
Segunda maior economia do mundo, a China é hoje o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o comércio entre Brasil e China atingiu um patamar histórico, com uma corrente de comércio de quase US$ 160 bilhões, resultado de exportações brasileiras de US$ 94,4 bilhões e importações de US$ 63,6 bilhões, gerando um superávit de US$ 30,7 bilhões – o que representou 41,4% do saldo comercial total do Brasil. O país se destacou como o maior fornecedor chinês de produtos essenciais como soja, carnes bovina e de aves, celulose, algodão e açúcar, reforçando seu papel estratégico na segurança alimentar da China.