Representantes do Brasil apresentaram prioridades da área na presidência brasileira do bloco, que conta com 11 países membros. Entre elas, está a atualização do plano de trabalho da Plataforma de Cooperação em Pesquisa Energética para mais cinco anos.
Publicado em 25/02/2025 16h38 Atualizado em 25/02/2025 16h46
Percio Campos/MME
O Ministério de Minas e Energia (MME) realizou, nos dias 24 e 25 de fevereiro, a 1ª Reunião de Energia do BRICS sob a presidência brasileira durante encontro virtual com delegados dos demais países. Ao longo das duas reuniões, ocorridas no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), em Brasília, o MME e demais representantes da delegação brasileira apresentaram as prioridades da área de energia e ouviram contribuições dos demais países membros.
Este ano, o Brasil assume a presidência do bloco, atualmente formado por 11 países, com o lema Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável. Nas reuniões de energia, representantes das nações em desenvolvimento se reuniram para discutir temas de cooperação política e econômica, com foco no avanço das agendas comuns, especialmente no setor energético. Entre elas, está a atualização do plano de trabalho da Plataforma de Cooperação em Pesquisa Energética do BRICS para os próximos cinco anos.
Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o Brasil quer aproveitar esse momento para fortalecer ainda mais o diálogo entre os países do Sul Global tendo a energia como um dos principais vetores. “Os países do BRICS, além de serem grandes supridores de soluções para a transição energética global, também têm muito a contribuir para as discussões globais de energia. Queremos explorar ao máximo as discussões com os membros durante a nossa presidência, entendendo que essas nações também compartilham desafios como garantir segurança energética, combater a pobreza energética e fazer com que a transição energética seja viabilizada a custos acessíveis para as suas respectivas populações”, avaliou.
O MME coordena as atividades da cooperação de energia do BRICS em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Para documentar as estratégias, o Grupo de Trabalho sobre Energia do BRICS vai produzir dois relatórios, um sobre combustíveis novos e sustentáveis e outro que trata do acesso a serviços energéticos, que serão aprovados durante a reunião de ministros de energia do BRICS, que ocorrerá em maio.
Na avaliação da assessora Especial do ministro de Minas e Energia, Mariana Espécie, o grupo discutiu temas de transição energética e os desafios do futuro nesse novo contexto. “Pudemos aprofundar as discussões de transição energética justa e inclusiva, que começou em 2023 com a presidência da África do Sul. Agora, o Brasil tem a proposta de produzir relatórios específicos sobre combustíveis sustentáveis e acesso a serviços energéticos, consolidando ainda mais esse tema no âmbito do BRICS”, comentou Mariana.
Workshops
A presidência brasileira do BRICS quer aprimorar os diálogos relacionados ao tema da transição energética. Com isso, um dos destaques dos eventos do bloco no país é a realização de workshops técnicos, que devem ocorrer entre abril e maio deste ano, sobre temas relevantes como acesso a financiamento, incluindo recursos para financiamento da pesquisa mineral. Outros temas que devem ganhar destaque nestes eventos são as adaptações às infraestruturas elétricas num contexto de mudanças climáticas e sistemas mais resilientes e as boas práticas de abatimento de emissões no setor de óleo e gás.
O BRICS funciona como um foro de articulação político-diplomática de países do Sul Global e de cooperação nas mais diversas áreas. Em 2024, seis nações passaram a integrar o bloco: Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos. Também participam Rússia, Índia, China e África do Sul.