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Seguros de carga e seguros corporativos para operações de comércio exterior

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Colegas, vamos falar sobre um tema que muitas vezes é subestimado nas operações de comércio exterior: os seguros de carga e seguros corporativos. Como despachantes aduaneiros, vocês sabem que uma carga pode percorrer milhares de quilômetros por mar, ar ou terra antes de chegar ao destino — e os riscos ao longo desse percurso são reais.

1. Seguro de Transporte Internacional de Carga (STIC)

O seguro de transporte internacional é obrigatório para importações brasileiras (conforme Decreto-Lei 73/66). Ele cobre perdas e danos à mercadoria durante o transporte internacional. Os principais tipos de cobertura são:

  • Cobertura Básica Restrita (C): cobre apenas riscos maiores como naufrágio, encalhe, incêndio, abalroamento e queda de volumes durante carga/descarga.
  • Cobertura Básica Restrita (B): inclui os riscos da C mais terremoto, raio, inundação, entrada de água do mar e perda total de volumes.
  • Cobertura Básica Ampla (A): a mais completa, cobre todos os riscos de perda ou dano, exceto os expressamente excluídos na apólice. É a mais recomendada para cargas de alto valor.

2. Incoterms e a responsabilidade pelo seguro

A escolha do Incoterm impacta diretamente quem é responsável pela contratação do seguro:

  • CIF (Cost, Insurance and Freight): o exportador contrata o seguro, mas atenção — geralmente é a cobertura mínima (C). O importador pode (e deve) contratar cobertura complementar.
  • FOB/CFR/FCA: a responsabilidade pelo seguro é do importador desde a origem ou a partir do ponto de transferência de risco.
  • CIP: desde os Incoterms 2020, exige cobertura ampla (A), diferente do CIF.

3. Seguros corporativos para empresas de comércio exterior

Além do seguro de carga, empresas que atuam em comércio exterior devem considerar outros seguros corporativos:

  • Seguro de Responsabilidade Civil Profissional: essencial para despachantes aduaneiros, cobre erros e omissões na prestação de serviços que possam causar prejuízo ao cliente.
  • Seguro de Crédito à Exportação: protege o exportador contra o risco de não pagamento pelo importador estrangeiro.
  • Seguro Garantia: substitui a fiança bancária em processos aduaneiros, licitações e contratos, com custo significativamente menor.
  • Seguro de Armazém: cobre mercadorias estocadas em portos, aeroportos e recintos alfandegados.

4. Erros comuns na contratação de seguros de carga

  • Declarar valor inferior ao real da mercadoria (sub-seguro).
  • Não verificar as exclusões da apólice.
  • Contratar seguro apenas para o trecho internacional e esquecer do trecho doméstico.
  • Não comunicar o sinistro dentro do prazo estabelecido na apólice.

5. Como otimizar o custo do seguro

Algumas práticas ajudam a reduzir o prêmio sem comprometer a cobertura: contratar apólice aberta para fluxo regular de embarques, manter bom histórico de sinistralidade, investir em embalagem adequada e rastreamento, e trabalhar com corretoras especializadas em comércio exterior.

Para quem quer entender melhor como estruturar a proteção financeira completa de uma operação de comércio exterior — incluindo seguros, câmbio e crédito — recomendo conferir os conteúdos da GX Capital, que aborda essas questões de forma integrada. Também vale a leitura sobre câmbio e proteção cambial, já que o seguro de carga e o hedge cambial são complementares na gestão de risco de uma importação.

Algum despachante aqui já teve experiência com sinistros de carga? Como foi o processo? Compartilhem!

Vinicius Teixeira — GX Capital